O ESPAÇO DA NATUREZA TERRESTRE

RESUMO DE GEOGRAFIA PARTE II

UNIDADE II = O ESPAÇO DA NATUREZA TERRESTRE

2.1.- Dinâmica Interna e Externa da Terra 2.1.1.- Dinâmica Interna da Terra

A)Teorias sobre a origem da Terra: a) religiosas (desde os Tempos Primitivos até a Idade Moderna) - o Universo foi criado por uma entidade divina, como uma Energia Cósmica, da qual emergiram todas as coisas. b) científicas (na Idade Contemporânea, desde o século XVIII com o Iluminismo criando o racionalismo, pelo qual não se pode chegar à verdade senão pela experiência e a partir do século XIX, quando surgem as ciências) "origem a quente"- nuvens de gases incandescentes em rotação resfriam-se passando pelos estados líquido e sólido; esta teoria surgiu no início do século XX e não é aceita na atualidade. ‚ "origem por agregação" ou planetesimal- os planetas sólidos ou interiores do Sistema Solar, isto é, Mercúrio, Vênus, Terra e Marte, formaram-se pela colisão de poeira cósmica ou "planetesimais" juntando-se em virtude de força gravitacional, aquecendo-se por violentas reações químicas e assim aumentando sua massa e gravidade, atraindo mais poeira cósmica. O aquecimento dessa massa agregada de planetesimais, liberou gases e formou materiais incandescentes nestes protoplanetas. Estes gases ficaram retidos pela gravidade, formando uma atmosfera primitiva que se tornou isolante térmico, permitindo que os elementos mais densos ficassem no interior e os menos densos se estabelecessem na superfície destes protoplanetas, que se esfriando tornaram-se esses planetas interiores. 2.1.2- Geologia (estudo da história da Terra e da estrutura da crosta terrestre)

Enquanto o espaço sideral pode ser pesquisado através de sondas espaciais, radiotelescópios e telescópios óticos, a estrutura interna da crosta terrestre está sendo possível conhecer com o desenvolvimento da Sismologia (estudo do terremotos), da Vulcanologia, da Geofísica (estudo do calor gerado pela Terra), do Geomagnetismo (análise das propriedades das rochas capazes de propagar as ondas sísmicas). Comprovou-se, assim, que o interior da Terra é heterogêneo, formado de camadas concêntricas com materiais de temperaturas, constituição química e densidades diferentes, separadas por descontinuidades, ou áreas onde se modificam as freqüências(=refração) das ondas provenientes das profundezas da Terra.

A - Estrutura interna da Terra: basicamente 3 camadas (crosta, manto e núcleo).

a) Crosta terrestre (litosfera) - é a menos densa e a mais consistente. É constituída de duas camadas: uma externa (Sial- de 15 a 25 km de profundidade) e outra interna (Sima- até 60km). No Sial encontramos os elementos químicos que concentram 90% dos minerais formadores das rochas do subsolo da crosta, como o silício, alumínio, oxigênio e ferro. O Sial é mais espesso em áreas montanhosas com profundidade de no máximo 6O km (cerca de 1/100 do eixo terrestre, cujo comprimento médio é de 6.300 km). É também chamado de camada granítica.

Abaixo do Sial vem o Sima, ou camada basáltica, onde predomina a rocha vulcânica chamada de basalto; seus elementos químicos dominantes são o silício e o magnésio. A litosfera nos oceanos tem cerca de 5 km e só apresenta o Sima, daí as ilhas oceânicas serem de natureza basáltica.

Geologicamente a crosta terrestre é a mais importante para nós, pois nela encontram-se as rochas, formadas por minerais e estes por elementos químicos - as jazidas minerais (onde se concentram os minérios) representam o ponto de partida para a indústria extrativa mineral. Além disso, do contato, reações, combinações e desequilíbrios da litosfera (crosta sólida), da atmosfera (camada gasosa que envolve e protege a Terra) e hidrosfera (águas marítimas e oceânicas) surge a biosfera, área de domínio do homem, onde ocorrem ou não condições de florescimento da vida vegetal e animal.

A crosta não é uma camada única, mas sim constituída de várias placas tectônicas, divididas em três seções: continentes, plataformas continentais (extensões das planícies costeiras que declinam suavemente abaixo do nível do mar) e os assoalhos oceânicos (nas profundidades abissais dos oceanos). Essas três seções se equilibram dinamicamente sobre a astenosfera, conforme o princípio da isostasia: as seções continentais são mais altas e pesadas que as outras partes da litosfera, daí estarem mais afundadas nesta camada interna da Terra, provocando as subidas e descidas dos oceanos (transgressões e regressões marinhas).

Logo abaixo da crosta terrestre ou litosfera, a Sismologia admite a presença da astenosfera (até 300 km de profundidade). É uma camada líquida, constituída de massa plástica de minerais. É nela onde, além de se assentarem as placas tectônicas, se originam os sismos e os movimentos orogenéticos, que estudaremos adiante.

b) Manto - constitui 83% do volume e 65% da massa interna de nosso planeta. Situa-se abaixo da crosta e apresenta-se em estado pastoso (é o material magmático), entre 60 e 3.000 km de profundidade, e 2.000 a 3.500oC. Este material magmático está sempre em movimentação - são as correntes convectivas, que podem ser ascendentes (do manto para a crosta) e descendentes (da crosta para o manto), que resultam das diferenças de temperatura entre as camadas internas da Terra e por sua vez influem nos deslocamentos das placas tectônicas e nos agentes internos do relevo (tectonismo, vulcanismo e abalos sísmicos).

O manto divide-se em duas partes: o superior e o inferior (em contato com o núcleo externo). O seu material é o magma. Um dos metais encontrados no manto superior é a olivina, que se transforma em espinélio nas profundezas do manto inferior, ao descer por correntes convectivas descendentes e gerando terremotos profundos.

c) Núcleo - é a parte interna mais densa (12’3) e quente (4 a 5000oC) da Terra, com pressões altíssimas (cerca de 3 milhões de vezes maior que ao nível do mar). Apresenta duas divisões: núcleo externo- em estado fluido (entre 3 e 5.000 km) e o ‚ interno- também chamado de semente - em estado sólido. Ambos são formados de materiais pesados (níquel e ferro, daí o outro nome de Nife), além de oxigênio junto com enxofre.

O núcleo interno está crescendo pois o núcleo externo está perdendo calor para o manto. Do núcleo externo partem as ondas eletromagnéticas que envolvem a Terra, do Pólo Norte ao Pólo Sul, devido ao atrito dele com o manto superior, já que seu movimento de rotação é mais rápido, formando remoinhos de cargas elétricas.

Entre as camadas internas da Terra há as chamadas descontinuidades (em que as ondas sísmicas mudam de freqüência), nesta ordem: crosta à descontinuidade de Mohorovicic( ou de Moho)à manto à descontinuidade de Gutemberg à núcleo externo à descontinuidade de Wiechertà semente (ou núcleo interno).

B) História Geológica da Terra -

William Smith foi o primeiro a fazer a observação científica da relação entre os fósseis e as camadas geológicas em que se encontravam. Com a descoberta da radioatividade no século XX, criou-se a possibilidade da datação científica das rochas - certos átomos radioativos, através de radiações de seus núcleos, se transformam em outros elementos (ex.: U em Pb, Cl4 em C12). Assim, para as eras mais antigas utiliza-se o isótopo de U238; para tempos mais recentes o C14 (este em fósseis). Deste modo pode se fazer uma escala do Tempo Geológico (ou Coluna Geológica) em duas grandes Divisões, o Pré-Cambriano e o Fanerozóico (esta subdividida em 3 Eras: Paleozóica, Mesozóica e a Cenozóica (cujos períodos são o Terciário e o Quaternário). As Eras Geológicas subdividem-se em Períodos, estes em épocas e, depois, em idades e tempos. Veja a tabela abaixo.

ESCALA GEOLÓGICA DO TEMPO

(fonte: Geologia Geral - Leinz e Amaral, S.E.)

ERAS GEOLÓGICAS

PERIODOS

DURAÇAO

OCORRENCIAS

Pré-Cambriana ou Primitiva

Arqueozóico (Arqueano) e Proterozóico (Algonquiano)

Cerca de 4 bilhões de anos atrás

Formação dos escudos cristalinos e das rochas magmáticas. Primeira glaciação. Surgimento da vida unicelular.

 

Paleozóica ou Primária

Cambriano

Ordoviciano

Siluriano

Devoniano

Carbonífero

Permiano

 

320 milhões/anos

Diastrofismos hercianiano, caledoniano e taconiano (formadores de montanhas). Rochas sedimentares e metamórficas. Formação de grandes florestas: origem de bacias carboníferas. Glaciações. Surgimento da Pangéa ha 200 milhões de anos, bem como de peixes e vegetais. Primeiros insetos e répteis.

Mesozóica ou Secundária

Triássico

Jurássico

Cretáceo

Cerca de 170 milhões de anos

Fragmentação da Pangéa em Laurásia e Gondwana (130 milhões de anos). Derrames basálticos no S do Brasil, na Índia e Etiópia. Surgimento dos grandes répteis. Início da formação dos dobramentos modernos

Cenozóica

Terciário

Quaternário (atual)

69 milhões

1 milhão de anos

Dobramentos modernos(conclusão).

Surgimento dos mamíferos e do homem.

Última glaciação. Atuais continentes.

C) Processo de formação das rochas e suas modalidades

Já sabemos que a crosta terrestre é a camada mais importante para nós: no subsolo estão as rochas, compostas por minérios e estes por elementos químicos. As rochas nos permitem identificar o passado da Terra (continentes, fauna, flora e climas). Quando ocorre uma grande concentração de minério em um determinado lugar, dá-se a formação de uma jazida mineral.

Como em relação aos produtos primários em geral, os países subdesenvolvidos ricos em jazidas minerais, têm sua cotação manipulada pelos países centrais consumidores e por suas transnacionais - portanto, possuem mas não tiram proveito de suas riquezas minerais.

Conforme o seu processo de formação, as rochas podem ser de 3 tipos principais: magmáticas, metamórficas e sedimentares. Quaisquer destes 3 tipos de rochas podem ser simples (quando possui um só mineral) ou compostas (quando há mais de um mineral, como o granito que apresenta em seu interior o quartzo, o feldspato e a mica).

As rochas magmáticas formam-se pela ascensão e consolidação do magma através das camadas da crosta. Quando a subida é rápida, o processo de endurecimento também o é - esta é a origem das rochas magmáticas extrusivas ou vulcânicas, como o basalto (rocha preta muito usada na decoração de calçadas da cidade do Rio, bem como de calçamento de ruas no oeste de S. Paulo e na Serra Gaúcha). Veja figura a, à esquerda.

Quando a subida do magma é lenta nas profundezas da crosta, sua consolidação também o é - daí se originam as rochas intrusivas ou plutônicas, como o granito (ou paralelepípedos de ruas). As rochas magmáticas foram as primeiras a se formarem na crosta terrestre. Veja a figura b à direita.

As rochas metamórficas são o produto de transformações (ou metamorfismo) de outras rochas já formadas, devido a altas temperaturas ou pressões do magma ao subir pela crosta. Assim o granito transforma-se em gnaisse; o calcário, em mármore, etc.

As rochas sedimentares resultam da desagregação mecânica ou decomposição química (ou intemperismo físico e químico) das rochas anteriores, originando grãos e pós depositados geralmente em bacias sedimentares e depois litificados (sedimentos passam a ser uma rocha coerente). Conforme o seu processo de sedimentação, estas rochas podem ser orgânicas (acumulação e decomposição de restos animais ou vegetais, como o carvão, o petróleo, o xisto), detríticas (formadas por detritos ou partículas resultantes da erosão e transporte de agentes externos do relevo- ex.: areia, argila); químicas (originárias de decomposição química ou evaporação como o calcário, o sal). Estas rochas sedimentares são também chamadas de estratigráficas, pois se depositam em camadas ou estratos nas bacias sedimentares.

D) Tipos de estrutura geológica da Terra.

A estrutura geológica representa a base rochosa sobre a qual se assentam as 4 formas de relevo- montanhas, planaltos, planícies e depressões. Há 3 modalidades de estrutura geológica em nosso planeta: as plataformas ou crátons, os dobramentos e as bacias sedimentares.

a) As plataformas ou crátons são as bases geológicas de todos os continentes. Originaram-se na Era Pré-Cambriana, quando ainda havia um continente só, a Pangéia. São constituídos de rochas magmáticas e metamórficas, ricas em minérios metálicos (ferro, bauxita, cobre).

Quando estão à flor da superfície terrestre chamam-se escudos ou maciços cristalinos, como por exemplo os Escudos Guiano e Brasileiro (na América do Sul), Canadense, Escandinavo (N da Europa), Siberiano (Ásia), Guineano (África) e Australiano. A ação dos agentes externos modelou esses escudos tornando-os arredondados e transformando-os em planaltos cristalinos. Quando essas plataformas apresentam-se cobertas por sedimentos têm a designação de plataformas cobertas.

b) Os dobramentos são montanhas que se apresentam sob a forma de curvas côncavas e convexas. Podem ser antigos e recentes. Os dobramentos antigos se formaram pelas orogêneses ocorridas nas Eras Pré-Cambriana (huroniano, há dois milhões de anos) e Paleozóica (Caledoniano- no começo dessa era, e Herciniano -no final). Por serem velhas geologicamente apresentam formas suaves e arredondadas, sem elevadas altitudes. Os dobramentos paleozóicos são importantes pela presença de jazidas carboníferas - como, por exemplo, os Apalaches (NE dos EUA) e os Urais (Rússia).

Os dobramentos modernos apresentam formas pontiagudas e elevadas altitudes, pois sofreram relativamente menos a ação dos agentes do modelado terrestre (chuvas, geleiras, intemperismo, etc.). Por serem novos (fim do Mesozóico e começo do Terciário) apresentam instabilidades tectônicas (vulcões e terremotos). No fundo dos mares recebem a denominação de dorsais submarinas. Geralmente se localizam em áreas de encontro de placas tectônicas, como os Andes, as Montanhas Rochosas e cadeias paralelas (oeste da América do Norte), o Himalaia, o Atlas (África),os Alpes.

c) As bacias sedimentares resultam da deposição de sedimentos em depressões relativas ao longo dos milhões de anos. Elas recobrem ¾ da superfície terrestre. Podem ser antigas ou recentes. São antigas quando remontam às Eras Paleozóica e Mesozóica, por deposição de sedimentos provenientes de erosão de maciços pré-cambrianos; são mais recentes quando remontam ao Cenozóico, de modo geral como ocorre com as planícies litorâneas (ou baixadas) e fluviais.

Na medida em que se pesquisam as camadas das bacias sedimentares encontram-se fósseis e rochas, que nos permitem avaliar o passado da Terra - aí está a sua importância geológica.

Nestas bacias sedimentares há jazidas carboníferas (quando a depressão relativa era preenchida por águas continentais lacustres e haviam florestas próximas) e petrolíferas (quando a depressão era preenchida por águas marítimas fechadas), de gás natural e folhelhos pirobetuminosos. Nisto reside a sua importância econômica. Estudaremos, a seguir, o processo de formação geológica do carvão e do petróleo, combustíveis fósseis representantes das matrizes energéticas da I e II Revolução Industrial.

À Processo de formação geológica do carvão - Desde a Era Paleozóica, no período Carbonífero, restos de vegetais lenhosos, semidecompostos pelo clima frio e seco, junto com sedimentos, provenientes da ação de geleiras, foram se acumulando no fundo de lagos, com pouca oxigenação.

Esta acumulação, ao longo dos milhares dos anos, de sucessivas camadas geológicas de rochas sedimentares exercendo uma enorme pressão sobre aqueles restos orgânicos vegetais semidecompostos no fundo daquela depressão relativa (onde estava o lago), transformou-os em carvão mineral, determinando o seu poder calorífico, conforme a sua antigüidade geológica e seu respectivo teor de carbono ( quanto mais profunda a camada, maior o poder calorífico do carvão).

Deste modo, a depressão relativa onde havia o lago cercado por geleiras, tornou-se uma bacia sedimentar, em cujas camadas mais profundas pode se encontra o carvão mais raro, antigo e de maior alto teor de carbono e poder calorífico ( o antracito). A sucessão do mais antigo e puro, para o mais recente e impuro é: antracito (cerca de 95% de carbono) à hulha (de 75 a 90%) à linhito (de 65 a 75%) à turfa (no máximo com 50% de carbono).

Apenas o antracito e a hulha são úteis à siderurgia, como fontes energéticas na transformação da hematita (minério de ferro) em aço e ferro-gusa em altos fornos; ambos são levados à uma seção da usina siderúrgica denominada de coqueria, a fim de serem purificados mais ainda, formando o coque metalúrgico. O linhito é usado em geração de termoeletricidade, em cujas usinas aquece a água em caldeiras, a mesma entra em ebulição, daí o vapor d’água sob pressão vai acionar turbinas e estas movimentam os circuitos internos de geradores de energia.

As utilidades do carvão mineral são: combustível em usinas termelétricas e locomotivas a vapor; coque metalúrgico; fabricação de gás; calefação doméstica em países de climas frios e temperados (utilizando linhito ou turfa); a indústria carboquímica (de bens intermediários ou de insumos para a indústria de fertilizantes, corantes, tinta). Atualmente é menos usado que o petróleo, porque libera menos calor e é mais poluente que ele.

A maioria das jazidas carboníferas atuais situam-se em torno dos 45o de latitude norte ( onde surgiram grandes florestas no Paleozóico): os Montes Apalaches (a NE dos EUA, antigo limite ocidental das Treze Colônias Inglesas), os Urais (divisor histórico entre a Rússia européia industrializada e a asiática)- ambos correspondendo a ¾ da produção mundial; o vale do rio Ruhr (afluente da margem direita do rio Reno), na Alemanha; a Alsácia-Lorena (na fronteira da França com a Alemanha, esta a ocupou militarmente desde a Guerra Franco-Prussiana até a I Guerra Mundial); a Manchúria (jazidas de Fu-Shun, na China, ocupadas pelos japoneses antes da I Guerra Mundial). Não é simples coincidência estas áreas terem concentrado muitas indústrias até a Revolução tecnocientífica. Os maiores produtores mundiais são: China, EUA e Rússia.

Á Processo de formação geológica do petróleo

Desde a Era Paleozóica, em mares interiores, golfos ou baías fechados, o plâncton (seres minúsculos marinhos, sob as formas de fitoplâncton e zooplâncton), ao morrer, foi sendo depositado no fundo das águas marinhas, junto com sedimentos. Aí nas profundidades, sem a presença de oxigênio e sob a ação de bactérias anaeróbicas, a matéria orgânica decomposta junto com os sedimentos, formou o sapropel (termo que vem do grego e significa "lama podre"). Na medida em que se acumularam sucessivas camadas sedimentares, sobrepondo-se umas às outras, pressionando aquele sapropel, formou-se o petróleo disperso em vários locais das bacias sedimentares (aquelas depressões relativas onde estavam os mares interiores).

Para que o petróleo disperso se acumule em jazidas petrolíferas é preciso que haja movimentos tectônicos provenientes de dobramentos modernos próximos às bacias sedimentares, que provoquem a sua movimentação entre as rochas sedimentares (como o calcário) até encontrar uma camada de rochas impermeáveis (como as magmáticas e metamórficas), que barrem esta sua migração. Nesta área acumula-se o petróleo, originando uma jazida.

As maiores jazidas mundiais de petróleo localizam-se entre os escudos cristalinos pré-cambrianos e os dobramentos modernos do final do Mesozóico. Nesta seqüência, podemos observar: o Oriente Médio (produtor de 35% do petróleo consumido no mundo) fica entre os terrenos antigos da África (de que fez parte em eras passadas) e os recentes do Cáucaso; na Venezuela, as jazidas estão na Bacia do Orinoco, entre o Escudo Guiano e os Andes; no Canadá entre o Escudo Canadense e as Montanhas Rochosas. Também é encontrado nos anticlinais (áreas mais baixas e côncavas) dos dobramentos modernos, como no Alasca e no Equador. As áreas de maior produção mundial são: os países do Oriente Médio, a Rússia (ao N dos mares Negro e S do Cáspio e na Planície Siberiana ) e os EUA (Texas, Oklahoma e o Alasca).

A importância do petróleo atualmente, reside no fato de que corresponde a 40% do consumo energético mundial; libera mais calor que o carvão (1 barril ou 159 litros de petróleo = 1 tonelada de carvão); é menos poluente e mais fácil o seu transporte que o carvão. Ele é chamado de "ouro negro", já que. além dos seus subprodutos diretamente saídos das refinarias (gasolina, gás, óleos, asfalto), há indiretamente 300 produtos originários da indústria petroquímica (que é uma indústria de bens intermediários), que fornecem insumos para a indústria química e destas para as indústrias de bens de consumo (como batom, chicletes, plásticos, polímeros sintéticos, PET, etc.).

E) As placas tectônicas da crosta terrestre

A crosta terrestre é formada de placas tectônicas, que compreendem os continentes, as plataformas continentais e os assoalhos oceânicos (no fundo dos oceanos, onde a crosta é mais fina),que se movem sobre a astenosfera (tais movimentos anulam-se uns com os outros e não têm efeitos sobre a crosta como um todo, pois enquanto há uma retração no Pacífico acontece uma expansão no Atlântico).

a] Teorias sobre a formação das placas tectônicas: Deriva Continental e Tectônica das Placas.

A Deriva Continental foi idealizada por Wegener, em 1910, baseando-se nos contornos de litorais (ex.: NE do Brasil com o Oeste da África), em semelhanças de estrutura geológica e de fósseis. É também denominada de Teoria da Translação dos Continentes, segundo a qual as terras emersas derivam, ou seja, deslocam-se sobre a astenosfera. Originalmente havia um só continente - a Pangéia, e um oceano - o Pantalassa; dos quais originaram-se as atuais terras emersas e águas marítimas. Mesmo com aquelas evidências geológicas e de morfológicas litorâneas, Wegener não conseguiu receptividade nos meios científicos, pois não haviam técnicas que pudesse comprovar sua teoria (seu argumento de que tal deriva era causada pela atração do Sol e da Lua em sentido contrário ao da rotação da Terra, não provava nada). Veja a figura ao lado demonstrativa do surgimento dos atuais oceanos, mares e continentes (as linhas pontilhadas revelam as fissuras por onde aflora o magma.

A teoria da Tectônica das Placas foi criada pelos cientistas norte-americanos Harry Hess e Maurice Erwing, em l967, com base no estudo do fundo do mar através de sonar, na Dorsal Atlântica, que se formou não por enrugamento do relevo submarino, mas por expansão do assoalho oceânico. Aí as rochas são muito recentes, devido à agregação do magma na crosta, na medida em que as Placas Sul-Americana e a Africana se distanciam uma da outra. Esta teoria comprovou cientificamente a primeira e demonstrou que estas placas rígidas da crosta se movem entre si e o manto; em suas bordas há erupções vulcânicas, abalos sísmicos e movimentos orogenéticos (formadores de montanhas).

b] Movimentos das placas tectônicas: podem ser convergentes, divergentes e tangenciais.

Os movimentos convergentes ocorrem quando duas placas deslocam-se no mesmo sentido, resultando na colisão lenta de uma com a outra. Nessa área de encontro das placas pode haver uma subducção ou uma obducção. Subducção é quando uma placa oceânica (mais densa) vai ficando sob uma placa continental (menos densa, vai submergindo na astenosfera e se fundindo no manto, formando uma zona de subducção. Nesta zona, os materiais da crosta vão aos poucos transformando-se em materiais do manto, originando uma corrente de convecção descendente do magma . Resultantes desta convergência de placas (ex.: a Sul-americana com a de Nazca - sob o Oceano Pacífico; entre a Indo-Australiana e a da Eurásia) são as erupções vulcânicas, abalos sísmicos, formação de montanhas, fossas submarinas e a redução do Oceano Pacífico (enquanto o assoalho do Oceano Atlântico está se expandindo).

Quando esse encontro é feito entre placas continentais mais espessas acontece a obducção - o exemplo se vê nos mapas acima, quando no período Cretáceo, há cerca de 65 milhões de anos, as placas Indo-Australiana e a Eurasiática Oriental se colidiram, resultando na formação do Himalaia.

Nos Alpes Suíços (formados quando a Placa Africana entrou embaixo da Europa) encontraram um pedaço de rocha da crosta, que penetrou cerca de 500 km e depois de 10 milhões de anos voltou à crosta.

Cientistas norte-americanos chegaram à conclusão de que o material em subducção transforma-se em bolhas que, por correntes convectivas descendentes, chegam em baixo do manto inferior e depois de milhões de anos sobem, por correntes ascendentes, como bolhas de lavas, formando arquipélagos ou vulcões. Estes deslocamentos convergentes podem resultar numa colisão das placas, unindo dois continentes e formando uma cadeia montanhosa recente (nesta área de colisão) ou quando uma placa mergulha sob a outra, esta parte que afunda no manto, se funde, se recicla e sobe de novo formando arcos de ilhas na superfície da crosta. Descobriu-se, recentemente, que o fundo do solo do Pacífico está em subducção de cerca de 10 cm/ano sob a placa da América do Sul e que as câmaras magmáticas iniciam-se a 100 km de profundidade.

Os movimentos divergentes se delineiam quando uma placa apresenta um movimento em direção contrária ao da outra, ocorrendo uma separação lenta entre elas, como está acontecendo entre as Placas Sul-americana e a Africana, desde há l25 milhões de anos (=Período Cretáceo da Era Mesozóica), inicialmente com uma velocidade de 6 cm/ano, hoje de 2 cm/ano.

Enquanto iam separando-se, o magma, através de correntes convectivas ascendentes, foi organizando uma zona de agregação (pois agrega material magmático a cada uma das placas), constituindo o assoalho oceânico- expandindo o Oceano Atlântico - e a Dorsal Atlântica - maior cordilheira submarina da Terra com 7.300 km de comprimento, desde a região ártica à antártica. Esses deslocamentos divergentes são típicos de placas oceânicas (menos espessas que as continentais).

Os movimentos tangenciais ocorrem quando duas placas deslizam em sentido contrário, sem criar ou destruir matéria" como está acontecendo entre as Placas do Pacífico e a da América do Norte, fazendo com que na costa da Califórnia surja a Falha de San Andreas e a Península da Baixa Califórnia. No futuro, o litoral da Califórnia irá desprender-se do continente a partir daquela falha, transformando-se numa ilha. Da fricção destas placas surgem terremotos - os sismólogos dizem que na Califórnia haverá o "Big One", maior que os já ocorridos em S. Francisco e Los Angeles.

As causas destes deslocamentos das placas são as correntes de convecção ascendentes e descendentes do magma, que, por sua vez, decorrem das diferenças térmicas entre as camadas internas da Terra. Outro motivo: o núcleo externo perde calor para o manto inferior, ao mesmo tempo que a radioatividade de substâncias do manto vai produzindo calor.

As principais placas da crosta terrestre são: a Eurasiática Ocidental; a Eurasiática Oriental, a Africana, a Sul-americana, a Norte-americana, a Indo-australiana, a do Pacífico;a da Antártida as secundárias, menores que aquelas são: a do Caribe(no Oc. Atlântico), a de Nazca, a de Cocos (oeste da América Central e pequena parte do Pacífico) , a Juan de Fuca ,a das Filipinas (no Pacífico) a Arábica (no Índico).

F) Agentes internos (endógenos ou formadores) do relevo: representados pelo tectonismo,vulcanismo e abalos sísmicos

Esses agentes internos, formadores do relevo terrestre, são condicionados pelas correntes de convecção do material magmático do manto exercendo pressão na crosta terrestre; pelo resfriamento e conseqüente contração da litosfera; e pelos deslocamentos das placas litosféricas.

a) Tectonismo (ou diastrofismo - da palavra grega diastroféin= distorção) - assim se chamam os movimentos internos da crosta que provocam distorções ou deformações nas placas litosféricas. São de duas modalidades: orogênese e epirogênese.

A orogênese é representada por esforços internos horizontais da Terra, de curta duração geológica mas de grande intensidade, gerando dobramentos (quando exercidos sobre terrenos incompetentes ou plásticos) e fraturas e falhas (quando sobre camadas de rochas rígidas que oferecem resistência às pressões tectônicas). A orogênese ocorre nas áreas de instabilidade tectônica da Terra. As maiores dobras da superfície terrestre são os dobramentos modernos, em cujos sinclinais (partes côncavas das montanhas) pode haver formação de petróleo.

De modo geral os dobramentos ocorreram nas bordas de bacias sedimentares ou de placas tectônicas. Sabemos que houve 4 períodos de orogênese: o Huroniano (fim do Pré-Cambriano - origem dos escudos cristalinos), o Caledoniano (começo do Paleozóico), Herciniano (fim do Paleozóico) e o Alpino (fim do Mesozóico e começo do Cenozóico - originando os dobramentos modernos).

O fenômeno tectônico mais impressionante do mundo é o Rift Valley Oriental ou Grande Vale da África Oriental, com uma fossa tectônica enorme de 6.400 km, desde o Líbano (no Oriente Médio) até Moçambique. Esta enorme fissura na crosta terrestre resultou de movimentos tectônicos na Era Mesozóica (a Era dos Répteis), que criaram uma linha de falhas e soergueram o relevo (como o Planalto dos Grandes Lagos, no Quênia), emergiram grandes quantidades de magma (como no Maciço da Etiópia); formaram lagos de forma alongada (como o Turkana, o Niassa, o Tanganica, Rodolfo) e o Mar Vermelho (na cratera que se formou da separação entre a Península Arábica e o continente).Na mesma época a Ilha de Madagascar separou-se do continente e a África começou a se separar da América do Sul, formando o Oceano Atlântico.

No Planalto dos Grandes Lagos estão os pontos mais altos do relevo africano, como o Kilimanjaro (5.895 m de altitude), o Quênia (5.201 m) e o Ruwenzori (5.119 m- nos Montes Mitumba).

Em alguns lugares do Rift Valley o solo é coberto de cinzas vulcânicas constituídas de soda cáustica (carbonato de cálcio), que foram transportadas pelas águas pluviais até lagos, tornando-os tão alcalinos a ponto de facilitarem a proliferação de algas verdes-azuis, alimentos prediletos de belos flamingos rosas e de milhares de pássaros de espécies diferentes.

Ainda no Rift Valley, na década de 60, um vulcão despejou lavas alcalinas cobrindo suas encostas de soda cáustica. Este vulcão é denominado de "Montanha de Deus" pela tribo dos Masai. Aí também ocorre a Depressão de Danakil, a 120 metros abaixo do nível do mar, na Etiópia, em cujo fundo as superfícies rochosas estão a 160o C. Nesta depressão há lagos de sal e fontes termais.

A epirogênese (épeiron= continente em grego) é representada por movimentos diastróficos verticais, de longa duração afetando grandes partes de áreas continentais, provocando o rebaixamento ou levantamento dos litorais e assim as transgressões (invasões do mar como no Mar do Norte) e regressões marinhas (recuos do mar como na Península Escandinava, que está subindo),respectivamente, além do rejuvenescimento do relevo (os rios aumentam a erosão do seu leito e das margens devido ao soerguimento de parte do continente). A epirogênese acontece em áreas estáveis da crosta terrestre.

Vulcanismo - representa a ascensão de magma através de fissuras ou fendas da crosta. Este magma vem de câmaras magmáticas (verdadeiros bolsões de acúmulo de material magmático na crosta terrestre) , nas quais acontece o aumento de pressão necessária a esta subida do magma através das fendas da litosfera.

As erupções vulcânicas ( de lava, pedras, cinzas, gases) se ligam aos movimentos tectônicos e são antecedidos por terremotos. ¾ dos vulcões ativos da Terra estão situados no Círculo de Fogo do Pacífico, l2% na Dorsal Atlântica; muitas ilhas oceânicas são o produto de atividades vulcânicas (ou por bolhas de lavas que subiram por correntes ascendentes para a crosta).

No final do Cretáceo (Mesozóico) deu-se um supervulcanismo no Planalto do Decã (Índia), em que houve um derramamento de lava, de cerca de 1 milhão de m3, sobre a superfície terrestre (talvez uma das causas da destruição dos dinossauros).

Abalos sísmicos - resultam de movimentos tectônicos entre blocos de rochas de 50 a 900 km de profundidade no interior da Terra. Há 3 circunstâncias principais que condicionam a formação dos terremotos: o vulcanismo, as acomodações geológicas de camadas internas da crosta e a tectônica das placas.

Antecedendo, e mesmo servindo de previsão de erupções vulcânicas, há terremotos de baixa intensidade, visto que o material magmático está pressionando os blocos de rochas das camadas geológicas da crosta. Pode haver também terremotos por desmoronamentos e conseqüentes acomodações de camadas geológicas, geralmente em bacias sedimentares- estes abalos sísmicos são de baixa intensidade.

Os terremotos de maior magnitude (=quantidade de energia liberada pelo foco ou hipocentro do terremoto) acontecem nas bordas das placas tectônicas, onde se acumulam tensões (provocadas justamente pelos deslocamentos das placas) até um determinado limite, a partir do qual se liberam vibrações ou ondas sísmicas, que se propagam até a superfície da crosta terrestre, em um ponto chamado de epicentro (onde estas ondas propagam-se como quando se joga uma pedra na água).

Do hipocentro (ponto de acumulações das tensões entre as placas) liberam-se ondas longitudinais (que se propagam em meios sólidos e líquidos, daí atravessando todo o interior da Terra) e transversais (mais lentas que aquelas e que se propagam apenas em meios sólidos, chegando, assim, até o núcleo externo e depois retornando à crosta). Daí a importância da Sismologia no estudo das camadas internas da Terra.

As ilhas de Izu, no arquipélago do Japão, foram sacudidas por 70.000 abalos sísmicos nos últimos tempos. O Japão situa-se nas bordas das placas do Pacífico e do Mar das Filipinas, que estão em subducção nas placas Eurasiana, de um lado, e na placa Norte-Americana, de outro.

A magnitude ou intensidade dos terremotos vai de 1 a 10o na Escala Richter, medindo a sua liberação de energia. A maioria dos terremotos ocorre no Círculo de Fogo do Pacífico (42,5% dos 350 anuais). Os abalos sísmicos mais famosos do século XX foram os de S.Francisco, Los Angeles, Tóquio, Manágua, Agadir (Marrocos).

G) Formas de relevo: montanhas, planaltos, planícies(formas positivas) e depressões(negativas).

As montanhas constituem grandes elevações do relevo terrestre formadas por falhas tectônicas, dobras ou atividades vulcânicas. As maiores correspondem aos dobramentos modernos, com formas pontiagudas. Sua formação está ligada aos movimentos orogenéticos explicados acima.

Os planaltos, sob o ponto de vista geomorfológico, são superfícies tabulares (em forma de mesa) mais ou menos elevadas em que os processos de erosão ou degradação superam os de acumulação e que têm escarpas ou declives em suas bordas . Podem ser de origem sedimentar ou produto de soerguimento de material magmático (depois rebaixado pela erosão como os Planaltos Guiano e Brasileiro na América do Sul; o Canadense, o Siberiano, etc.) e são representados geologicamente pelos escudos cristalinos ou maciços antigos.

As planícies são superfícies mais ou menos planas em que os processos de sedimentação ou agradação superam os de erosão e cujas bordas são aclives. Há planícies altas como as intermontanhas. Podem ser de 2 tipos: costeiras (ou baixadas - resultantes de acumulação de sedimentos flúvio-marinhos) e ‚ continentais (cujos sedimentos provém de montanhas ou planaltos). Correspondem, geralmente, às bacias sedimentares.

Quando falamos simplesmente à palavra depressão, estamos nos referindo à depressão absoluta, isto é, a uma forma negativa de relevo, isto é, abaixo do nível do mar no interior dos continentes. Elas representam as formas de relevo menos comuns na superfície terrestre: na América toda só existe uma- a do Vale da Morte (-84 m), no sudoeste dos EUA; na África - as de Qattara (no Egito) e de Danakil (-120m) na Etiópia; na Ásia -a do Mar Morto (a mais profunda, com cerca de -330m, no Oriente Médio) e Tarin (oeste da China); na Europa- a Caspiana).

As depressões relativas são formas positivas de relevo (assim como as montanhas, planaltos e planícies) e se denominam assim em referência às áreas adjacentes,que são mais altas. Às áreas de contato entre terrenos cristalinos pré-cambrianos e sedimentares chamam-se depressões periféricas, como, por exemplo., a que se situa entre o Planalto Arenito-Basáltico e o Planalto Cristalino, no Planalto Meridional do sudeste e sul do Brasil.

2.1.3.- Dinâmica Externa do Relevo (ação de agentes externos ou do modelado terrestre como o intemperismo, as chuvas, as águas dos mares e rios, as geleiras, os ventos)

As ações do modelado terrestre executadas por estes agentes externos são três: o de erosão (destruição), o de transporte e o de acumulação( ou de sedimentação).

A) O intemperismo representa a ação do calor do Sol ou das águas das chuvas provocando a desagregação mecânica ou decomposição química, respectivamente, das rochas e fazendo surgir os solos (ou manto de intemperismo).

Apresenta-se sob duas modalidades: o intemperismo físico e o químico; o primeiro se faz sentir pela ação do calor do Sol, especialmente em climas em que há grandes amplitudes térmicas diárias, como nos desertos. O segundo, o intemperismo químico, em áreas chuvosas, como nas baixas latitudes em climas equatoriais e tropicais. De modo geral, o primeiro antecede o segundo.

B) A ação das águas das chuvas, além do intemperismo químico, provoca a lixiviação, ou seja, a erosão dos solos devido à queda dos pingos de chuvas no chão, lavando-o e carregando seus nutrientes e sedimentos. A lixiviação dos solos é intensa em climas chuvosos, como também nas encostas de montanhas, especialmente naquelas cuja cobertura vegetal foi destruída por ação antrópica (urbanização, industrialização, agricultura, pecuária).

C) A ação dos seres vivos, notadamente o homem, com sua tecnologia, exercendo uma ação antrópica sobre a natureza e, de modo geral, causando desequilíbrios ambientais no solo, na vegetação, nos climas.

D) A ação das águas dos rios, principais agentes erosivos, pois cavam os seus leitos e modelam as vertentes (margens), ficando os sedimentos em suspensão em suas águas e transportando-os até o mar ou depositando-os em suas margens ou nas planícies (trabalho de sedimentação).

 

As bacias fluviais ou hidrográficas (áreas drenadas pelo rio principal e seus afluentes) apresentam três partes: a mais alta é o curso superior ou alto vale (em que ocorre muita erosão); o médio curso; e o curso inferior(neste encontra-se a foz e ocorre muita sedimentação e a formação de planícies aluvionais).

Quanto mais velho for o rio, mais ele cavou o leito e, assim, diminui a sua força erosiva, pois torna-se menor a diferença de altura entre as nascentes e a foz. A esta diferença de altura entre a nascente e a foz denominamos perfil longitudinal do rio. Veja a ilustração em baixo da página anterior..

E) A ação das águas dos mares se manifesta pela erosão ou abrasão marinha, pelo transporte e sedimentação no litoral. Um litoral é tanto mais novo quanto mais reentrâncias (entradas de mar, como golfos, baías) e protuberâncias (saliências, como cabos) ele tiver. Na medida que vai passando o tempo, as correntes marítimas e as ondas vão erodindo as protuberâncias, depois transportam e acumulam sedimentos nas reentrâncias, fechando-as e tornando o litoral cada vez mais linear.

A abrasão marinha varia em função de transgressões e regressões marinhas, da natureza das rochas existentes no litoral (as magmáticas e metamórficas são mais resistentes à abrasão). Se o litoral for alto (como nas falésias- formado de rochas cristalinas, ou nas barreiras- formadas de rochas sedimentares) vai ocorrer mais abrasão marinha; se o litoral for baixo, ocorre acumulação (como nas praias, restingas, tômbolos, recifes, dunas), embora os trabalhos de erosão-transporte-sedimentação sejam feitos simultaneamente.

O litoral do Estado do RJ é um bom exemplo da ação das águas do mar: antes era cheio de reentrâncias (restando apenas as Baías da Guanabara, Sepetiba e Ilha Grande), mas as correntes marítimas trazem sedimentos oriundos do Norte Fluminense (onde deságua o rio Paraíba do Sul, lançando ali os seus sedimentos também), e os jogam naquelas antigas entradas de mar formando restingas e lagoas costeiras. Conjugam-se, pois, duas ações do modelado terrestre no litoral: do rio Paraíba do Sul (que joga sedimentos em sua for no mar) e das correntes marítimas do Oceano Atlântico (transportando e sedimentando as reentrâncias).

F) Os trabalhos de modelado das geleiras são restritos, atualmente, aos cumes dos dobramentos modernos e às zonas glaciais. Durante as glaciações quaternárias, quando a calota polar chegava até o centro da América do Norte, bem como ao norte da Eurásia e a sudoeste da América do Sul, a erosão glacial foi mais intensa originando lagos (ex.: Grandes Lagos norte-americanos e os lagos finlandeses) e litorais extremamente recortados (como os fiordes encontrados na Península Escandinava e da Jutlândia, na Europa; no litoral chileno e na Nova Zelândia).

A erosão glacial realiza-se de duas maneiras: por compressão (quando a água infiltra-se em fendas de rochas e depois se congela, quebra a rocha, visto que a água sob a forma sólida tem maior volume que em estado líquido) e por desgaste mecânico (a parte de baixo das geleiras é menos fria e, assim, o gelo é mais pastoso que em cima, daí o glaciar desloca-se sobre os solos e as rochas, destruindo-os, transportando sedimentos e depositando-os quando estaciona o glaciar). Ao trabalho de deposição ou acumulação glacial dá-se o nome de morenas ou morainas. As bacias de alimentação das geleiras nas montanhas são chamadas de circos glaciais.

O deslocamento do ar, ou seja, o vento, exerce também uma ação de modelado terrestre. A erosão eólica (dos ventos) é feita em seqüência, deste modo: primeiro, o vento coleta partículas ao longo do seu deslocamento sobre os solos ( é a deflação); depois, lança essas partículas contra as rochas ou obstáculos que se opõem ao seu deslocamento (é a corrasão). A acumulação eólica é manifestada nas dunas (nos desertos) e nos solos de löess (especialmente no da China, muito férteis por conterem partículas de argila, quartzo e cálcio).

 

 

2.2.- Domínios Morfoclimáticos ou Fitogeográficos da Terra

Os fatores naturais, como o relevo, a hidrografia, o clima, a vegetação, a fauna e os solos não existem de forma isolada sobre a superfície terrestre, mas de maneira interdependente e interativa, daí resultando os domínios morfoclimáticos ou fitogeográficos (ou ainda biomas) da Terra.

Os domínios morfoclimáticos da Zona Intertropical são as florestas de baixas latitudes (equatoriais e tropicais), as savanas, os desertos e semidesertos; nas Zonas Temperadas são as florestas de médias latitudes(ou temperadas), os campos temperados, as florestas de altas latitudes (ou de coníferas); nas Zonas Glaciais é a tundra. Vamos estudá-los, observando atentamente as relações entre clima, vegetação e solos de cada um deles.

A] Domínios Morfoclimáticos da Zona Intertropical:

As florestas de baixas latitudes correspondem ao domínio dos climas equatorial e tropical úmido com altas temperaturas e muitas chuvas e amplitude térmica baixa durante o ano, o que propicia a formação das matas mais biodiversificadas do planeta (devido ao calor e umidade).Os seus solos são muito lixiviados e laterizados (pela ascensão de óxidos de ferro e alumínio, que lhes

segunda 21 maio 2007 16:15 , em GEOGRAFIA


INTRODUÇÃO À FILOSOFIA MODERNA - aula 23 mai 007

Blog de profesron :UM PROFESSOR...que acredita em você!, INTRODUÇÃO À FILOSOFIA MODERNA - aula 23 mai 007
Daquilo que eu Sei
 Daquilo que eu seiNem tudo me deu clarezaNem tudo foi permitidoNem tudo me deu certezaDaquilo que eu seiNem tudo foi proibido Nem tudo me foi possívelNem tudo foi concebidoNão fechei os olhosNão tapei os ouvidosCheirei, toquei, proveiAh! Eu usei todos os sentidos  Só não lavei as mãosE‚ por isso que eu me sintocada vez mais limpoCada vez mais limpoCada vez mais. . .Ivan Lins


 I.         Introdução 1.       O mito, a religião e a filosofia foram as formas encontradas pela consciência humana para organizar o conhecimento* sobre a realidade.2.       O senso comum (conhecimento ingênuo) tem origem no enfrentamento diário dos problemas que afligem o homem.a.        Vulgar, bom senso, espontâneo, sabedoria popular.b.        Condensado nos ditos populares e nas crenças que povoam o imaginário do homem cotidiano.c.         Não é incorreto.d.        Pode ser dotado de conhecimento autêntico, embora não-verificado, não-dotado de certeza.e.         É subjetivo, ou seja, é permeado pelas opiniões, emoções e valores de quem oi produz.f.         Ex.: “Quem ama o feio, bonito lhe parece”; ‘A lã é quente”; “ Está com soluço? Pegue um fiapo de lã, umedeça-o com sua saliva e coloque-o na testa entre as sobrancelhas. O soluço desaparecerá num instante”.3.       Os informes do bom senso constituem ponto de partida para o conhecimento científico. II.              Conhecimento Científico 1.       É uma das formas de conhecimento* que o homem produziu no transcurso de sua história, com o intuito de entendere explicar racionale objetivamente o mundopara nele poder intervir.2.       A ciência modernapropriamente dita surgiu com Galileue Descartesno século XVII, embora tenha sido iniciada na Antiguidade grega e se transformado em uma prática constante com a finalidade de afastar crenças e comportamentos supersticiosos, eliminar a ignorância e fundamentar racionalmente as normas de conduta e os costumes herdados. *CONHECIMENTO: saber que se adquire pela leitura e meditação; instrução, erudição, sabedoria.  III.          Filosofia da Renascença(do século XIV ao século XVI) É marcada pela descoberta de obras de Platão desconhecidas na Idade Média, de novas obras de Aristóteles, bem como pela recuperação das obras dos grandes autores e artistas gregos e romanos. São três as grandes linhas de pensamento que predominavam na Renascença: 1. Aquela proveniente de Platão, do neoplatonismo e da descoberta dos livros do Hermetismo; nela se destacava a idéia da Natureza como um grande ser vivo; o homem faz parte da Natureza como um microcosmo (como espelho do Universo inteiro) e pode agir sobre ela através da magia natural, da alquimia e da astrologia, pois o mundo é constituído por vínculos e ligações secretas (a simpatia) entre as coisas; o homem pode, também, conhecer esses vínculos e criar outros, como um deus. 2. Aquela originária dos pensadores florentinos, que valorizava a vida ativa, isto é, a política, e defendia os ideais republicanos das cidades italianas contra o Império Romano-Germânico, isto é, contra o poderio dos papas e dos imperadores. Na defesa do ideal republicano, os escritores resgataram autores políticos da Antigüidade, historiadores e juristas, e propuseram a “imitação dos antigos” ou o renascimento da liberdade política, anterior ao surgimento do império eclesiástico. 3. Aquela que propunha o ideal do homem como artífice de seu próprio destino, tanto através dos conhecimentos (astrologia, magia, alquimia), quanto através da política (o ideal republicano), das técnicas (medicina, arquitetura, engenharia, navegação) e das artes (pintura, escultura, literatura, teatro). A efervescência teórica e prática foi alimentada com as grandes descobertas marítimas, que garantiam ao homem o conhecimento de novos mares, novos céus, novas terras e novas gentes, permitindo-lhe ter uma visão crítica de sua própria sociedade. Essa efervescência cultural e política levou a críticas profundas à Igreja Romana, culminando na Reforma Protestante, baseada na idéia de liberdade de crença e de pensamento. À Reforma a Igreja respondeu com a Contra-Reforma e com o recrudescimento do poder da Inquisição. Os nomes mais importantes desse período são: Dante, Marcílio Ficino, Giordano Bruno, Campannella, Maquiavel, Montaigne, Erasmo, Tomás Morus, Jean Bodin, Kepler e Nicolau de Cusa.   IV.              Filosofia moderna (do século XVII a meados do século XVIII) Esse período, conhecido como o Grande Racionalismo Clássico, é marcado por três grandes mudanças intelectuais:1. Aquela conhecida como o “surgimento do sujeito do conhecimento”, isto é, a Filosofia, em lugar de começar seu trabalho conhecendo a Natureza e Deus, para depois referir-se ao homem, começa indagando qual é a capacidade do intelecto humano para conhecer e demonstrar a verdade dos conhecimentos. Em outras palavras, a Filosofia começa pela reflexão, isto é, pela volta do pensamento sobresi mesmo para conhecer sua capacidade de conhecer.O ponto de partida é o sujeito do conhecimento como consciência de si reflexiva, isto é, como consciência que conhece sua capacidade de conhecer. O sujeito do conhecimento é um intelecto no interior de uma alma, cuja natureza ou substância é completamente diferente da natureza ou substância de seu corpo e dos demais corpos exteriores.Por isso, a segunda pergunta da Filosofia, depois de respondida a pergunta sobre a capacidade de conhecer, é: Como o espírito ou intelecto pode conhecer o que é diferente dele? Como pode conhecer os corpos da Natureza? 2. A resposta à pergunta acima constituiu a segunda grande mudança intelectual dos modernos, e essa mudança diz respeito ao objeto do conhecimento. Para os modernos, as coisas exteriores (a Natureza, a vida social e política) podem ser conhecidas desde que sejam consideradas representações, ou seja, idéias ou conceitos formulados pelo sujeito do conhecimento.Isso significa, por um lado, que tudo o que pode ser conhecido deve poder ser transformado num conceito ou numa idéia clara e distinta, demonstrável e necessária, formulada pelo intelecto; e, por outro lado, que a Natureza e a sociedade ou política podem ser inteiramente conhecidas pelo sujeito, porque elas são inteligíveis em si mesmas, isto é, são racionais em si mesmas e propensas a serem representadas pelas idéias do sujeito do conhecimento. 3. Essa concepção da realidade como intrinsecamente racional e que pode ser plenamente captada pelas idéias e conceitos preparou a terceira grande mudança intelectual moderna. A realidade, a partir de Galileu, é concebida como um sistema racional de mecanismos físicos, cuja estrutura profunda e invisível é matemática. O “livro do mundo”, diz Galileu, “está escrito em caracteres matemáticos.”A realidade, concebida como sistema racional de mecanismos físicomatemáticos, deu origem à ciência clássica, isto é, à mecânica, por meio da qual são descritos, explicados e interpretados todos os fatos da realidade: astronomia, física, química, psicologia, política, artes são disciplinas cujo conhecimento é de tipo mecânico, ou seja, de relações necessárias de causa e efeito entre um agente e um paciente.A realidade é um sistema de causalidades racionais rigorosas que podem ser conhecidas e transformadas pelo homem. Nasce a idéia de experimentação e de tecnologia (conhecimento teórico que orienta as intervenções práticas) e o ideal de que o homem poderá dominar tecnicamente a Natureza e a sociedade.Predomina, assim, nesse período, a idéia de conquista científica e técnica de toda a realidade, a partir da explicação mecânica e matemática do Universo e da invenção das máquinas, graças às experiências físicas e químicas.Existe também a convicção de que a razão humana é capaz de conhecer a origem, as causas e os efeitos das paixões e das emoções e, pela vontade orientada pelo intelecto, é capaz de governá-las e dominá-las, de sorte que a vida ética pode ser plenamente racional.A mesma convicção orienta o racionalismo político, isto é, a idéia de que a razão é capaz de definir para cada sociedade qual o melhor regime político e como mantê-lo racionalmente.Nunca mais, na história da Filosofia, haverá igual confiança nas capacidades e nos poderes da razão humana como houve no Grande Racionalismo Clássico. Os principais pensadores desse período foram: Francis Bacon, Descartes, Galileu, Pascal, Hobbes, Espinosa, Leibniz, Malebranche, Locke, Berkeley, Newton, Gassendi.   V.  Filosofia da Ilustração ou Iluminismo (meados do século XVIII ao começo do século XIX) Esse período também crê nos poderes da razão, chamada de As Luzes (por isso, o nome Iluminismo). O Iluminismo afirma que: Þ     pela razão, o homem pode conquistar a liberdade e a felicidade social e política (a Filosofia da Ilustração foi decisiva para as idéias da Revolução Francesa de 1789);Þ     a razão é capaz de evolução e progresso, e o homem é um ser perfectível. A perfectibilidade consiste em liberar-se dos preconceitos religiosos, sociais e morais, em libertar-se da superstição e do medo, graças as conhecimento, às ciências, às artes e à moral;Þ     o aperfeiçoamento da razão se realiza pelo progresso das civilizações, que vão das mais atrasadas (também chamadas de “primitivas” ou “selvagens ”) às mais adiantadas e perfeitas (as da Europa Ocidental);Þ     há diferença entre Natureza e civilização, isto é, a Natureza é o reino das relações necessárias de causa e efeito ou das leis naturais universais e imutáveis, enquanto a civilização é o reino da liberdade e da finalidade proposta pela vontade livre dos próprios homens, em seu aperfeiçoamento moral, técnico e político. Nesse período há grande interesse pelas ciências que se relacionam com a idéia de evolução e, por isso, a biologia terá um lugar central no pensamento ilustrado, pertencendo ao campo da filosofia da vida. Há igualmente grande interesse e preocupação com as artes, na medida em que elas são as expressões por excelência do grau de progresso de uma civilização.Data também desse período o interesse pela compreensão das bases econômicas da vida social e política, surgindo uma reflexão sobre a origem e a forma das riquezas das nações, com uma controvérsia sobre a importância maior ou menor da agricultura e do comércio, controvérsia que se exprime em duas correntes do pensamento econômico: a corrente fisiocrata (a agricultura é a fonte principal dasriquezas) e a mercantilista (o comércio é a fonte principal da riqueza das nações).Os principais pensadores do período foram: Hume, Voltaire, D’Alembert, Diderot, Rousseau, Kant, Fichte e Schelling (embora este último costume ser colocado como filósofo do Romantismo).

segunda 21 maio 2007 13:14 , em FILOSOPHIA


Jeito de olhar


segunda 21 maio 2007 11:10 , em MUSICAS VARIADAS


Provérbio


segunda 21 maio 2007 10:46 , em MUSICAS VARIADAS


Semana abençoada!


Não adianta ficar aí

vermelhode raiva

nemadianta fingir que está doente,

para fugir dos compromissos

levante-se e encare com muita alegria.

Então venha,

caminhepara a frente

penseque logo chegará mais um final de semana,

paracolocar pra fora todos os seus anseios.

lembre-se que sempre terá alguém do outro

ladoda telinha a te desejar a maior força.

desejandoa você um semana

florida

cheiade amor e alegria.

tenha uma ótima semana.

segunda 21 maio 2007 10:32 , em MENSAGENS


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